Água invade praia de água salgada do Amapá e causa destruição de imóvel

Image: Jim Davis Almeida/Arquivo Pessoal

 

As águas alcançadas pelo Oceano Atlântico seguem avançando na costa Leste do Amapá e a força da maré tem provocado destruição em imóveis na única praia de água salgada do estado, Goiabal, localizada em Calçoene, a 374 quilômetros de Macapá.

Imagens mostram danos à estrutura de uma casa e de uma árvore, que caiu com a força da água, segundo o presidente da Associação de Surf e Stand Up Paddle do Amapá (ASSUP-AP), Jim Davis Almeida, que visitou o local nos dias 15 e 16 de março.

O prefeito de Calçoene, Jones Cavalcante, informou que ainda não registrou nenhuma casa com sérios danos este ano. A água já teria avançado, segundo ele, cerca de 2 metros entre 2017 e 2018. A prefeitura também prevê construção de calçamento.

A Defesa Civil Estadual declarou que não recebeu chamado de sinistros na região.

Cerca de 20 construções estão construídas na região da praia, entre casas da prefeitura e de moradores, restaurantes e uma pousada.

“Dia 31 de dezembro, eu estive lá e tinha uma casa em pé, com uma árvore ao lado, e as pessoas já tinham saído de lá porque sabiam que, nas ‘águas de março’, o oceano ia avançar até lá. E avançou, derrubou a árvore e abalou as estruturas dessa casa. O oceano está avançando cada vez mais rápido”, descreveu Davis.

Desde 2010, o surfista visita o local para conhecer como se comporta a água da região como potencial turístico e esportivo, para a prática de surf e kitesurf.

“Eu quis mostrar o que está acontecendo na praia, que é um local distante. De um lado, os empreendedores estão querendo sobreviver do trabalho, e do outro lado, o oceano avança. A gente não vê ainda uma participação forte do poder público com projeto de uso sustentável. Se a gente não mostrar, o Goiabal não vai se desenvolver como produto turístico do estado”, comentou Davis.

De acordo com o prefeito do município, a Defesa Civil apontou que não haveria forte avanço da água, mas as chuvas geram preocupação.

“Ano passado, a Defesa Civil informou que não avançaria tanto, mas infelizmente está avançando. Do ano passado para cá, o oceano avançou uns 2 metros na praia. Vamos procurar os técnicos da Sema para que eles nos ajudem a parar esse avanço, que é maior no inverno”, citou Cavalcante.

O prefeito disse ainda que planeja fazer calçamento na frente das casas e na área de alimentação da praia, para tentar conter a destruição. No lugar não existe nenhum tipo de proteção.

A Defesa Civil informou ainda que não tem estudo na área e que atua sob demanda, para atender se for necessário, remanejar vítimas ou fazer algum trabalho de contingenciamento.

Em julho de 2016, durante o verão, imagens exibidas na Rede Amazônica mostraram a destruição da força da água em estruturas que ficavam à beira-mar.

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Source :

Globo

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