Casa de curandeiro e rei momo do carnaval do AP tem exposição de objetos pessoais

Source: Internet

 

A casa do amapaense “Sacaca” em breve pode se tornar um novo museu aberto em Macapá. Familiares do pioneiro – que se popularizou pelo conhecimento medicinal de plantas da Amazônia e por ter sido rei momo do carnaval do Amapá – abriram as portas da residência e mostram a história dele, através de objetos e ensinamentos que deixou antes de morrer.

Raimundo dos Santos Souza, real nome do Sacaca, também se destacou como esportista e incentivador da cultura. Uma dos 10 filhos dele, a professora Lídia Souza, de 52 anos, teve a ideia de fazer a exposição em memória do pai.

São roupas, fotografias, livros escritos por ele, além de objetos pessoais, que estão divididos em 4 ambientes da casa, localizada na Avenida José Antônio Siqueira, número 404, no bairro Laguinho, na Zona Norte. Por enquanto as visitas no local são agendadas.

“Antes nós levávamos alguns objetos dele para museu e para escolas, mas muito foi se perdendo, então resolvemos fazer exposição na casa que foi dele. Dividimos em espaços para lembrar o envolvimento dele com diversos seguimentos da cultura”, disse Lídia.

Ao entrar na residência, o visitante encontra uma mesa com os 3 livros publicados por Sacaca ainda em vida, que ensinam receitas da medicina natural, entre eles o título “Receituário de Ervas Medicinais”.

Na garagem da casa, a família recriou uma mesa onde Sacaca recebia as visitas enfermas. No ambiente também há um rádio antigo usado por ele, e as imagens de santos dos quais o amapaense era devoto como São José e São Benedito. Mudas de diversas plantas medicinais doadas por alunos que já fizeram visitas à casa completam o espaço.

Ainda na área externa, a decoração faz uma homenagem ao marabaixo, manifestação cultural característica do Amapá, através de roupas e tambores usados na dança típica. O espaço também celebra os 10 anos do grupo de marabaixo Artur Sacaca, um dos sonhos do curandeiro, que hoje tem cerca de 100 crianças e jovens participando.

“No marabaixo tradicional não tinham crianças e meu pai sempre falava que seria bom mudar isso, e trazer essas novas gerações, para não acabar. Ela vontade dele. Em 2007 nós estávamos com meus sobrinhos e os vizinhos e percebemos que eles queriam também fazer parte disso, então montamos o grupo”, lembrou a filha.

A exposição faz memória ao Sacaca como curandeiro, religioso, carnavalesco e amante do futebol. No interior da casa foram expostas fotografias, troféus, placas de reconhecimento, móveis da família e um quadro representativo de Sacaca. Também podem ser vistos no cômodo um trono, coroa, cetro e roupas que ele usada devido ao título de rei momo do carnaval amapaense.

“Meu pai foi uma pessoa que se envolvia com tudo. Ele era louco por esporte, pelo carnaval, pela marabaixo. Isso nos deu muito aprendizado. Essa exposição nos trouxe também aprendizado porque as pessoas vêm contar causos que nós nem sabíamos”, acrescentou Lídia.

Inicialmente, as visitas são agendadas com estudantes das escolas das redes pública e privada de Macapá. Hoje moram na casa a viúva de Sacaca, Madalena da Silva, e um filho do casal e a ideia da família é transformar o lugar em um museu, mas é uma proposta que ainda está sendo formulada.

“Eu fico muito feliz em compartilhar todo esse conhecimento dele. Eu não sabia que abrir essa exposição fosse ser tão interessante. Pensamos em receber alunos das escolas da cidade, estamos recebendo eles agora. Nós pretendemos abrir para o público em geral, mas estamos planejando”, explicou Lídia.

Vida de Sacaca

Raimundo dos Santos Souza nasceu no dia 21 de agosto de 1926, em Macapá, quando a vila ainda pertencia ao estado do Pará. Ele viveu a infância no Centro da cidade e passou a morar no bairro Laguinho na década de 1940. Depois de casar, ele se mudou com Madalena para a casa onde acontece a exposição.

Sacaca aprendeu com o pai e pesquisadores estrangeiros sobre os benefícios das plantas da floresta, extraindo raízes e folhas para o preparo de remédios naturais, sem fazer o ensino superior. Ele atendia pessoas em casa e ensinava “garrafadas”, uma bebida que misturava ervas, para combater diversas doenças.

Se estivesse vivo, ele teria 91 anos. Morreu aos 73 anos, em 1999. Em 2002, Sacaca deu nome a um museu a céu aberto, que é ponto turístico da capital mostrando os costumes dos povos da floresta.

O conhecimento popular das plantas para fins medicinais passou a ser fonte de estudo. No estado, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), que administra o Museu Sacaca, tem a Farmácia da Terra, que alia o saber popular ao conhecimento científico para produzir remédios.

Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o VC no G1 AP ou por Whatsapp, nos números (96) 99178-9663 e 99115-6081.

Source :

Globo

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*


10 − 1 =