Falta de política de Estado impede avanço do turismo nacional

Image: Bruno Santos/Folhapress

 

A ausência de políticas de Estado e de planejamento de longo prazo para o desenvolvimento do turismo nacional faz com que o potencial do setor não seja aproveitado.

Essa foi a principal conclusão dos participantes dos debates do seminário Turismo e a Internacionalização do Brasil, promovido na quinta-feira (15) pela Folha, com patrocínio da Embratur e apoio da CVC, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

“Não existe política de turismo no Brasil”, afirmou Mariana Aldrigui, professora e pesquisadora de políticas públicas de turismo da USP.

Segundo ela, o que motivou a formação do Ministério do Turismo, há 15 anos, não foi o desenvolvimento do setor, mas a criação de cargos para acomodar representantes de partidos aliados ao governo.

Para Felipe Augusto Carreras, secretário de Turismo de Pernambuco, o fato de o Brasil ter sediado grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada, e não ultrapassar 7 milhões de turistas internacionais por ano, é indício do descaso das autoridades com a área.

“É culpa dos governantes o país nunca ter tido um planejamento estratégico para um setor que cria tantas oportunidades”, afirmou.

Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, agência que promove o Brasil no exterior, ligada ao Ministério do Turismo, defende a internacionalização para alavancar o turismo brasileiro.

Segundo ele, o modelo do agronegócio, que deixou de ser importador para ser exportador, deve ser seguido.

Para Lummertz, investimentos no segmento poderiam beneficiar outras áreas. “A França, por exemplo, tem uma indústria forte porque tem turismo, e tem turismo porque tem uma indústria forte. O turismo vende o perfume, o alimento, o vinho.”

O CEO do grupo Rio Quente, que reúne resorts em Goiás e na Bahia, Francisco Costa Neto, afirmou que as ações para atrair visitantes devem ser voltadas para países do Mercosul, de onde se consegue vir com menos horas de voo e menos burocracia.

“Temos de nos concentrar nos mercados que nos atendem. A Europa não é o nosso.”

IMAGEM DO PAÍS

Dinheiro gasto de maneira correta, estrutura e atrativos bem selecionados não mudam sozinhos o cenário sem ações de marketing.

A divulgação, porém, é limitada pela falta de recursos, segundo Lummertz. A Embratur conta com dinheiro só do Orçamento da União, que enfrenta contingenciamentos.

O turismo sofre com a exposição negativa no exterior, principalmente devido a notícias sobre violência e problemas de saúde pública.

“A imagem do Brasil só vai melhorar quando trouxermos jornalistas de fora para mostrar uma realidade diferente. É preciso primeiro investir em segurança, saúde e educação para depois começar a falar de turismo”, afirmou Aldrigui.

Os visitantes estrangeiros só virão para o Brasil quando se sentirem seguros, segundo Ana Clévia Lima, gerente de Comércio e Serviços do Sebrae (serviço de apoio às micro e pequenas empresas).

DESTINO DIVERSIFICADO

O país falha também na hora de eleger os diferenciais que vai propagandear no exterior, segundo Costa Neto.

“O nosso diferencial é cultura, não é praia. Cultura e entretenimento são o que fazemos de melhor. Se entendermos isso, teremos sucesso.”

Após o grupo adquirir o complexo hoteleiro Costa do Sauípe, na Bahia, Costa Neto conta que as ações de marketing se voltaram para outras características, como história e cultura local. “Temos de encarar a realidade como ela é para sermos competitivos.”

A busca de Portugal por atrativos fora do habitual, como surfe e golfe, é exemplo da diversificação. A união entre o governo e a empresas permitiu a construção de campos de golfe em Algarve.

A estratégia funcionou, e o país recebe nórdicos fãs do esporte para aproveitar um inverno ameno, segundo Bernardo Cardoso, diretor do Turismo de Portugal no Brasil.

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