Juncker confiante que “haverá um 100.º aniversário da União Europeia”

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Com o Reino Unido ausente, os restante 27 Estados membros abriram o que esperam que seja um “novo capítulo” na história do bloco. Defenderam uma união “una e indivisível”, mesmo que seja a “ritmos e intensidades diferentes”

A poucos dias de a primeira-ministra britânica, Theresa May, desferir um golpe sem precedentes contra a União Europeia (UE) dando oficialmente início ao processo do brexit, os restantes líderes europeus aplaudiram ontem na capital italiana uma união “una e indivisível” capaz de atuar em conjunto, mesmo que com “ritmos e intensidades diferentes”. Na celebração dos 60 anos do Tratado de Roma, o mais confiante de que o bloco está diante de um “novo capítulo” na sua história foi o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker, que não teve problemas em dizer que “haverá um 100.º aniversário da UE”.

A Declaração de Roma foi assinada ontem pelos 27 líderes europeus (May foi a única ausente) e pelos presidentes das instituições europeias no Capitólio. A mesma sala onde, a 25 de março de 1957, Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo assinaram os Tratados fundadores da Comunidade Económica Europeia e da Comunidade da Energia Atómica, que dariam origem à atual UE. O primeiro-ministro português, António Costa, assinou o texto às 11:25 (10:25 de Lisboa). Juncker usou a mesma caneta que o representante do Luxemburgo na assinatura do Tratado de Roma, há 60 anos: “Há assinaturas que duram.”

O anfitrião da cimeira, o primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni, lembrou que os pais fundadores da Europa tinham conhecido a guerra, a prisão, os regimes totalitários. Eram homens que “falavam línguas diferentes, não tinham muitas vezes a mesma opinião” mas, “o que os unia, era a vontade de se unirem, para o bem de todos”, Agora “perdemo-nos”, admite. “Parámos no nosso caminho e isto causou uma crise de rejeição por parte da opinião pública”, disse Gentiloni.

O ponto alto dessa rejeição foi o referendo no Reino Unido de junho do ano passado, que causou aquela que é até ao momento a maior crise institucional da UE. Na quarta-feira, May vai acionar formalmente o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dá início ao prazo de dois anos para negociar o brexit. Em Roma, sem a primeira-ministra britânica, a palavra de ordem foi contudo união. “Provem hoje que são os líderes da Europa, que podem cuidar desse grande legado que herdámos dos heróis da integração europeia há 60 anos”, disse Donald Tusk, no seu discurso. “Hoje, renovamos os nossos votos e reafirmamos o nosso compromisso para uma União una e indivisível”, afirmou Juncker.

Mas, apesar de toda a confiança e do compromisso numa Europa mais forte e unida, a Declaração de Roma aponta os “desafios sem precedentes” que existem tanto a nível interno como externo. E, depois de muita discussão em torno da ideia de uma “Europa a várias velocidades”, o documento suaviza a expressão, optando por falar numa união “a ritmos e com intensidades diferentes, quando for necessário, avançando todos na mesma direção”. Uma Europa que, defendem, se quer “segura e protegida”, “próspera e sustentável”, “social” e “mais forte no plano mundial”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que vai a votos em setembro na Alemanha, lembrou que o importante é responder às preocupações das pessoas sobre economia, bem-estar, migração e defesa. “Queremos uma Europa segura e protegida. Temos que proteger as nossas fronteiras externas e queremos uma Europa economicamente mais forte”, afirmou.

“É muito importante que esta celebração que hoje aqui fazemos possa continuar amanhã e para que isso aconteça é fundamental podermos responder de uma forma positiva àquilo que são os anseios, as angústias, o medo que muitos cidadãos têm e para os quais a União Europeia é mesmo a única entidade que pode dar uma boa resposta e uma resposta positiva”, disse António Costa, após assinar a Declaração de Roma. “O que é importante é aprender as lições do passado e responder às exigências relativas ao futuro”, acrescentou, lembrando que “sem a UE estaríamos seguramente piores”.

À margem das celebrações oficiais, milhares de pessoas manifestaram-se a favor, contra, por mais ou por menos UE, em seis manifestações espalhadas pela capital italiana. Cerca de cinco mil polícias garantiam que não havia problemas de segurança. “É o 60.º aniversário de um tratado que foi feito quando eu tinha 15 anos. Sou uma filha da guerra e este grande movimento europeu tornou-se no meu ideal político”, disse uma reformada à AFP. Junto ao templo romano de Vesta, foi estendida uma bandeira gigante da UE e ouvia-se o hino europeu – Ode à Alegria, de Beethoven.

“Somos por uma Europa no espírito do tratado original. Uma Europa democrática e livre”, disse à Reuters um manifestante de outro protesto. Mais à frente, num encontro na universidade, uma mensagem diferente: “A experiência da UE acabou para nós. Precisa de ser desligada e precisamos de começar a criar o caminho para uma confederação de nações livres e soberanas”, disse a líder do partido de direita, Irmãos de Itália, Giorgia Meloni.

Source: DN

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