Mulher “indiferente” estava, afinal, assustada e a ligar para a família

Source: The Internet/ABC

 

Uma mulher muçulmana, vestida com um hijab, mexe no telemóvel ao mesmo tempo que passa por uma vítima do atentado, que está a ser assistida na ponte de Westminster. Esta é a descrição simplista de uma foto captada a 22 de março, em Londres, momentos após o atentado. A mulher foi acusada de tudo nas redes sociais e declarada culpada pela indiferença. Agora, veio defender-se. Num comunicado divulgado na sexta-feira, a mulher (que prefere continuar no anonimato) revela que estava “assustada”, que tentou ajudar as vítimas minutos antes e que estava a tentar “ligar para a família” para dizer que estava bem.

O autor da fotografia, Jamie Lorriman, já tinha vindo defender a mulher, garantido que ela lhe pareceu naquele momento “perturbada e horrorizada” e lembrando que existia no local uma “atmosfera estranha de calma”. “Ninguém estava a gritar nem aos berros”, acrescentou. O fotógrafo acusava ainda os críticos de serem muito “seletivos”. Agora foi a vez da mulher se defender e, para isso, escreveu um comunicado que foi publicado no MAMA, uma plataforma online de denúncia de abusos contra muçulmanos no Reino Unido.

A mulher confessou estar “chocada e totalmente consternada pela forma como a minha foto circulou nas redes sociais“. Apontou o dedo aos críticos e lembrou que acabou por ser uma dupla vítima. “Para aqueles que interpretaram e comentaram quais foram os meus pensamentos naquele horrível e angustiante momento, gostaria de dizer que, além de ficar devastada por ter testemunhado um chocante ataque terrorista, ainda tive de lidar com o choque de encontrar a minha imagem plasmada em todos os media por aqueles que não conseguiam olhar para além do que vestia”. E acusa-os de tirarem “conclusões baseadas no ódio e na xenofobia”.

No mesmo comunicado, a mulher muçulmana justificou que os seus “pensamentos naquele momento eram de tristeza, medo e preocupação”. Apesar da confusão, tentou ser útil: “O que a imagem não mostra é que eu tinha falado com outras testemunhas para tentar perceber o que estava a acontecer, se podia ajudar de alguma forma, mesmo sabendo que já estavam muitas pessoas no local a cuidar das vítimas”. Perante esta situação fez o que a maior parte das pessoas fariam.

Então decidi ligar para a minha família para dizer que estava bem e que estava a fazer o caminho de casa para o trabalho e que, pelo caminho, ajudei uma senhora a chegar á estação de Waterloo.”

A mulher despede-se dizendo que os seus pensamentos “estão com todas as vítimas [do atentado] e as suas famílias”. Faz ainda questão de “agradecer a Jamie Lorriman” por a ter “defendido na comunicação social”.

 

 

Source: Observador

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