Nomes curiosos lembram espaços de uma Macapá antiga viva na memória

Source: Internet

 

Nomes de espaços urbanos de Macapá guardam histórias curiosas de uma cidade pacata. Alguns títulos, apelidados pelos próprios moradores no passado, permanecem vivos na memória recente, lembrados com saudosismo. Ao longo de 260 anos, celebrados no domingo (4), os lugares receberam novas denominações com o tempo.

Baixa da Mucura, Vacaria, Morro do Sapo, Poço do Mato, Chapéu de Palha, Largo dos Inocentes e Favela. Difícil de reconhecer? Esses são os nomes populares guardados na memória de muitos moradores, com forte apelo sentimental.

A professora aposentada e jornalista Alcinéa Cavalcante, de 62 anos, coleciona lembranças boas da infância. Ela se recorda de uma Macapá antiga, quando as ruas eram de terra, que começavam no Centro e terminavam onde atualmente é o bairro Santa Rita, região em que a jornalista vive.

Foi por muitos anos o nome oficial do bairro que atualmente é conhecido como Santa Rita, na Zona Central de Macapá. Alcinéa lembra que no título de eleitor da mãe dela a identificação vinha como “Favela”.

“Esse nome foi dado pelos trabalhadores da Icomi que chegaram ao Amapá nos anos 50. As avenidas do bairro eram muito inclinadas e eles diziam que parecia uma favela. A nossa casa [na Avenida Almirante Barroso] era a última da cidade. Aqui era tudo ponte. Apesar do nome, na Favela se concentravam os poetas, intelectuais e professores. Lembro de como a cultura era efervescente aqui. Tinha saraus e muita reuniões artísticas”, conta.

Baixa da Mucura

Aos 73 anos, o funcionário público aposentado Manoel Silva lembra bem quando ia com o pai na Baixa da Mucura, no final da Rua Cândido Mendes, onde hoje tem uma agência bancária.

Ele conta que ali era o estacionamento de carroças que faziam o transporte de mudanças. Ele não sabe como surgiu o nome, mas recorda que um carroceiro se chamava Mucura.

“A Baixa da Mucura tinha os burros e cavalos com as carroças, e tinha o conhecido Mucura, um veho saliente que gostava de mexer com a mulher alheia. Ali o povo se encontrava para contratar carretas com animais”, relembra.

Poço do Mato

No Blog Porta Retrato, que destaca partes da história do ex-Território Federal do Amapá e do povo que vive ou viveu no estado, o também jornalista João Lázaro conta sobre esse lugar.

O poço fica onde sempre foi, no meio da Avenida Padre Manoel da Nóbrega, entre as ruas General Rondon e São José, atrás do terreno da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa).

No resgate da história, Lázaro conta que o Poço do Mato foi construído em 1864 para fornecer água aos moradores do bairro Laguinho. Foi o primeiro sistema de abastecimento de água da cidade de Macapá.

Em 1993, um projeto de lei declarou o poço monumento de interesse cultural da cidade e, atualmente, existe até uma associação que cuida do espaço, realiza festas e encontro de amigos.

O poço foi fechado, não fornece mais água, e no lugar foi construído um memorial, com caramanchão, banco em concreto e até iluminação.

Chapéu de Palha

O lugar fica na Avenida Padre Júlio, no perímetro entre as ruas Santos Dumont e Hildemar Maia. Ali, o comércio sempre foi forte, lembra Alcinéa Cavalcante, e o apelido é referência a um dos comerciantes.

Ela não lembra o nome dele, mas a imagem de um homem trabalhador, usando sempre um grande chapéu feito de palha, está viva na memória.

Vacaria

Onde hoje é a rampa do Santa Inês, há 60 anos era uma pequena fazenda da família Barbosa e ficava longe do perímetro urbano. Alcinéa diz que a área era privativa, mas o dono, Antonio, sempre deixava a porteira aberta para quem quisesse passar.

“Ali havia uma criação de gado, era tudo fazenda, na beira do rio. Seu Antonio abastecia a cidade com leite e os derivados, e era onde a molecada gostava de tomar banho, porque tinha uma praia bacana. Todos podiam passar”, conta.

A jornaista diz que naquele tempo a Fazendinha era longe, não havia transporte para lá, então as praias mais frequentadas eram a do Araxá, Elesbão e Vacaria, todas na capital.

Morro do Sapo

No final da Rua São José, subindo a Avenida Nações Unidas, no limite entre os bairros Centro e Laguinho, surgiu um time de futebol campeão, Flamenguinho, no Morro do Sapo, que tinha paixão pelo Flamengo, do Rio de Janeiro.

“Lembro que joguei no time titular na posição meia-direita. Tinha um futebol razoável, mas ao ponto de barrar uns e outros que depois viriam a se tornar grandes jogadores aqui e em outros estados”, destacou o poeta, escritor e professor-doutor Fernando Canto.

Ex-morador do Morro do Sapo, Canto diz que o nome já é autoexplicativo. “Havia muitos sapos na região. Lembro que, quando íamos dormir, o som da noite era o coaxo dos bichos”.

Igarapé das Mulheres

O título da música do poetinha Osmar Júnior homenageia as bravas mulheres que, de sol a sol, dia a dia, iam para a orla da cidade, na praia, lavar cestos cheios de roupas sujas.

O Igarapé das Mulheres, no bairro Perpétuo Socorro, que hoje sofre com o assoreamento, foi lugar de encontro de dezenas de lavadeiras.

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Source :

Globo

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