Professor cria casa sustentável e leva projeto a 35 famílias carentes, no Amapá

Image: Jéssica Alves/G1

 

Com o uso de dois containers, material orgânico e muitas ideias, o professor de pedagogia Pedro Aquino de Santana, de 52 anos, desenvolveu uma casa com tecnologia sustentável em Macapá. Ele garante que a construção gasta menos energia elétrica, devido ao uso da luz solar, e tem um sistema para reaproveitamento e tratamento de água.

A iniciativa começou a ser compartilhada com famílias carentes da região. Os containers são divididos em cômodos da casa, localizada no bairro Morada das Palmeiras, que abriga o sistema que transforma a água em produto potável, e utiliza a luz natural para o desenvolvimento de energia elétrica por meio de geradores e baterias.

A sala e a cozinha foram colocadas na parte de baixo da estrutura, e os quartos e banheiros ficaram no espaço superior. No teto, o professor colocou uma camada de 5 centímetros de caroços de açaí, e, com isso, a temperatura dentro da casa cai em até 8,8 graus. Ou seja, mesmo em dias mais quentes, o clima fica mais agradável na residência.

Pedro ressaltou que teve a ideia de construir a casa durante uma pesquisa sobre residências em regiões ribeirinhas e iniciou um projeto social. Ele conta que gastou cerca de R$ 11 mil na compra dos containers e instalação dos sistemas.

“Comecei a pesquisar o que fazer em relação às populações que vivem em regiões ribeirinhas. Então pensei em fazer uma casa que subisse e descesse conforme a maré, daí surgiu a ideia de usar container. Por ser um produto de longa vida útil e ter uma grande oferta”, destacou.

A estação de tratamento de água funciona dentro da casa, e o professor aproveitou canos de PVC, areia, tijolo e sementes de açaí para fazer a transformação da água para o estágio potável e própria para consumo. Ele ressalta que mais de 700 litros de água são tratados por mês.

“Pesquisei e fiz experimentos com a água para desenvolver uma estação de tratamento, com pressão suficiente para dar melhor qualidade à água. Foi um trabalho de seis meses, que tem dado bons resultados”, enfatizou.

A moradia sustentável está sendo apresentada em um projeto social para 35 famílias com o objetivo de levar conhecimento para serem desenvolvidos na própria área de cada residência, como forma de diminuir o consumo de água e a energia elétrica.

Além disso, o professor adaptou um projeto de fossa que usa tambores e transformam os dejetos em fertilizantes naturais, com a utilização de filtros ultravioletas. Ele conta que já instalou a estrutura da fossa em cerca de 14 casas na região.

“As tecnologias são pensadas no desenvolvimento sustentável e eu quero expandir esse conhecimento, com esse projeto. Se cada casa tivesse a capacidade de desenvolver a sua própria energia elétrica e água que consome, os ganhos para a natureza seriam maiores”, reforçou.

Outro ponto que chama a atenção na casa é o sistema híbrido de energia elétrica, que segundo o professor, produz cerca de 80% do que é consumido por ele na residência. Quando o sol se põe, a casa pega a luz do sistema convencional.

“Uso a energia captada pelo sistema por aproximadamente 12 horas, mas estou com um projeto de gerador, que se der certo, vai criar mais 300% de energia para a casa, reduzindo o consumo direto com a companhia [de eletricidade] a praticamente zero”, ressaltou.

Ele mora na casa junto com a família, mas sempre recebe estudantes do Instituto Federal do Amapá (Ifap), onde trabalha, para desenvolver projetos sustentáveis, como a fabricação de carvão biosustentável, com uso de sementes e madeira.

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Source :

Globo

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