Um senhor embaixador, Rui Costa

Lembro-me de pensar, quando o jogo foi para os penáltis, que o futebol afinal era fácil. A baliza era tão grande.

Foto: sabado.pt

 

Dizem que admitir é o primeiro passo, portanto, passo já a bola: nunca fiz uma caderneta de cromos de futebol, não tenho camisolas da selecção (as bandeiras ganhei-as sempre como brindes de pacotes de batatas fritas) e não sei rezar plantéis do México 86, do Itália 90, sequer do França 98 (desculpem, não sou como aquelas pessoas que parece que engoliram a Internet – os cabos HDMI não me caem bem). Se gosto de futebol?

Gosto de futebol, sim, e por causa do Rui Costa, do meu pai e da minha mãe. É que eles estavam os três lá naquele dia (pedi agora mesmo ao Google que mo recordasse, ele ligou ao YouTube e os dois explicaram-me que já tive o mesmo corte de cabelo do Figo). Foi naquele 30 de Junho de 1991, que recordo como quente, que vi o meu primeiro jogo de futebol. E eles estavam lá naquela final que caiu para o nosso lado – e em que o resultado final foi eu ficar caidinha pelo jogo, pela bola, pela festa.

Tinha oito anos, calções cor-de-rosa e um irmão mais novo que ainda achava que as pessoas que apareciam na televisão viviam lá dentro. Eu não sabia nada, sabia lá. Lembro-me de pensar, quando o jogo foi para os penáltis, que o futebol afinal era fácil. A baliza era tão grande (e eu tão pequena, apercebo-me agora).

Apaixonei-me pelo futebol quando percebi que aquele gigante magricelas que correu para a bola e a fez explodir nas redes, conseguiu, ao mesmo tempo e num só gesto, fazer 120 mil pessoas, e ainda o meu pai e a minha mãe, felizes. Lembro-me de o ver correr de braços abertos na direcção das bancadas – e lembro-me de querer que ele corresse lá para casa para que também eu, o meu pai e a minha mãe o abraçássemos.

Assim, o meu primeiro mundial foi aquele Portugal-Brasil sub-20 de 91. Claro que se eu comecei bem, o jogo habituou-me mal: demorou até que nos visse ganhar outra vez. Quando olho para miúdos que têm hoje a idade que eu tinha então, penso em como os estamos a habituar a ganhar. E sei: eles também querem ver o Cristiano correr até lá a casa para os abraçar. E espero que sintam o que eu senti – que ele é o seu embaixador deste jogo, aquele que faz explodir a bola nas redes como quem diz “explode, coração”.

Source :

sabado.pt

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