Biólogos de MG comemoram título de embaixador das águas de  pato-mergulhão 

Image: Adriano Gambarini/ Divulgação

As 250 anes existentes no mundo estão no Brasil. Apenas na Serra da Canastra e na cidade de Patrocínio vivem 152. Biólogos dessas regiões acreditam que o título concedido ajudará na preservação do animal.

O pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) é considerado uma das aves aquáticas mais ameaçadas de extinção no mundo. Além de raro, é um bioindicador ambiental, pois estudiosos afirmam que onde ele habita, existe natureza preservada. Isto porque esta ave só consegue se alimentar e se desenvolver em locais onde existam águas limpas, em rios ou córregos encachoeirados, próximo a matas ciliares.

Além de Minas, há registros da espécie em Goiás, Tocantins, Mato Grosso, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pato-mergulhão já ocorreu também na Argentina e no Paraguai, onde atualmente encontra-se extinto.

Serra da Canastra

A região da Serra da Canastra ─ incluindo o Parque Nacional e entorno – abriga a maior população dessa espécie, com 140 aves. Para preservação dos animais, uma equipe de biólogos desenvolvem o “Programa Pato-mergulhão,” realizado desde 2001 pelo Instituto Terra Brasilis.

A coordenadora do programa, Lívia Lins, disse ao G1 que atualmente 15 profissionais realizam pesquisas científicas e monitoramento da espécie.

“Este animal é o símbolo das águas, afinal, ele só vive em regiões preservadas e limpas. Por isso recebemos com muita alegria a notícia que essa ave é embaixadora das águas. Nós trabalhamos há anos pela preservação da espécie e para ela continuar viva, é preciso preservar o meio ambiente. O título de embaixador pode, e muito, ajudar nisso”, explicou Lívia.

Os biólogos da região desenvolvem pesquisas sobre a distribuição e áreas de ocorrência do pato-mergulhão, assim como estudos sobre aspectos comportamentais, biologia reprodutiva, territorialidade e dispersão dos filhotes.

Além disso, são desenvolvidas ações para diversos públicos (escolar, produtores rurais e setor turístico), que apresentam temas relacionados à manutenção do ecossistema, em especial sobre os recursos hídricos, fundamental para a sobrevivência do pato-mergulhão e para a melhoria da qualidade de vida da população em geral.

“A espécie vive em casais e ocupam cerca de 10 km de determinada parte do rio. É feito um trabalho de monitoramento, mas vamos além disso, com objetivo de trabalhar o todo e mostrar sempre a importância deste animal para todos”, explica a bióloga Lívia Lins.

Patrocínio

Além da Serra da Canastra, em Minas Gerais o pato-mergulhão também vive em Patrocínio. De acordo com a coordenadora do programa de conservação do pato-mergulhão no Alto Paranaíba, Fabiane Sebaio Almeida, atualmente 12 aves são catalogadas em rios e córregos da região.

“Esse título de embaixador das águas veio em um momento muito oportuno. Ele traz a atenção para questão de qualidade dos recursos hídricos. O pato-mergulhão é uma espécie ameaçada e merece esse olhar especial. Acredito que o título ajudará na preservação da espécie”, declarou Fabiane.

Em Patrocínio, três biológos trabalham diretamente no programa de presernavção da ave. Em 2017, nasceu pela primeira vez na história filhotes de pato-mergulhão reproduzidos em cativeiro. Os animais nasceram no ZooParque de Itatiba (SP) e, segundo Fabiane, as aves que vivem em Patrocínio auxiliaram com doação de ovos.

Source :

Globo

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