Boato no WhatsApp faz alunos de colégio militar virarem criminosos; ‘transtorno’, afirma diretora

Source: Internet

 

“Espalhem aí…Esses vagabundos estão assaltando os ônibus nas proximidades da Fazendinha. Ontem fizeram mais um assalto”, diz a mensagem no WhatsApp. “Repassando”, diz o autor. Em seguida, são compartilhadas quatro fotos em que aparecem rapazes jovens, de cabelos curtos, camisa polo, óculos e bonés.

A mensagem viralizou em Macapá, em novembro de 2017, e muita gente compartilhou. Foi um susto para os rapazes que aparecem nas fotos, que, na verdade, são alunos elogiados do Colégio Militar da cidade, da Escola Estadual Risalva Freitas do Amaral. O boato gerou transtorno para os garotos e pra as famílias deles.

A diretora da escola onde os rapazes estudam, tenente Greyce Caroline da Silva Dias Pantoja, afirma que eles têm boa conduta e boas notas e não poderia ser diferente, porque isso é uma exigência básica do estabelecimento escolar.

“Essa notícia é falsa. Inclusive, os alunos já registraram o B.O com seus responsáveis. São alunos que a gente não tem do que reclamar, pode ver a ficha de disciplina e rendimento deles. Já entrei em contato com o policiamento no sentido de desfazer essa informação. Eles mesmos já tinham me pedido porque já tinham averiguado e verificado que não era verdade essa informação. Eles estavam verificando quem estava fazendo esse tipo de veiculação “, afirmou.

Segundo a diretora, a reação na escola foi de susto ao ver o alcance e a injustiça do boato. “Olha, o transtorno e o susto foram grandes, até porque temos um regulamento na escola que prevê certas medidas quanto à disciplina”.

Um dos rapazes fotografados diz que a foto que viralizou nas redes foi tirada há cerca de três meses antes de surgir o boato, quando ele e os amigos estavam na orla de Macapá. Para ele, alguém baixou as fotos do Facebook.

“Quando fiquei sabendo fiquei desesperado. Senti desespero naquele momento. A minha vida depois disso ficou horrível. Já pensou em ter a foto divulgada como criminoso? Sendo que sou trabalhador e estudante. Pretendo que a Justiça faça justiça”, afirmou.

Correr atrás do prejuízo exigiu da irmã de parte um deles, estudante de Direito, registrar boletim de ocorrência na delegacia especializada de repressão aos crimes praticados contra crianças e adolescentes.

“A polícia está investigando mais fundo pra saber quem realmente começou a publicação”, diz ela, que enquanto esperava apoio oficial desmentiu o boato no próprio Facebook.

“Olá…Venho aqui fazer uma nota de esclarecimento, no dia 29 de novembro pela parte da manhã recebemos uma notícia (este print), esta imagem está circulando nas redes sociais e isso não procede, já fizemos um B.O e formos atrás dos nossos direitos…”, diz o apelo.

“Peço que se você ver alguém compartilhando está notícia falsa, por favor diga que não procede. Os mesmos na foto estão com suas vidas em riscos. Gente são os quatros rapazes da esquerda, o mesmos foram juntos com seus familiares fazer a ocorrência. Nos ajudem a achar o responsável, pois isso é calúnia e difamação…”, diz ela no post.

Cinco dias depois do ocorrido, ela disse que os boatos ainda não haviam sido revertidos. “Os 4 rapazes andam com medo de serem repudiados pela sociedade ou até mesmo serem taxados como assaltantes.”

Passados quase três meses, a mãe de um dos jovens diz que, enfim, a vida começa a voltar à normalidade. Nenhum deles sofreu agressão física, mas o constrangimento ficou marcado.

“Graças a Deus a situação amenizou. Hoje meu filho já consegue enfrentar as coisas de frente. Ele é uma pessoa de bem, muito estudioso. Na época ele ficou muito abalado, todos da família ficamos. É muito ruim quando você é uma coisa e uma pessoa vem, lhe julga e cria fatos mentirosos. Foi constrangedor e envolveu muita gente”, disse a mãe.

Ela também contou que a polícia ainda não encontrou o responsável pelo compartilhamento no WhatsApp, mas espera que a justiça seja feita.

Source :

Globo

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