Flávio Rocha, o empresário veterano na política, mira Planalto pela 2ª vez

Image: O Diário Nacional

 

O empresário dono da Riachuelo e pré-candidato à presidência Flávio Rocha (PRB-RN) tem se destacado no noticiário desde o impeachment de Dilma Rousseff por seus posicionamentos políticos.

A trajetória do empresário, no entanto, não é alheia aos principais eventos da vida pública brasileira nas últimas décadas. Desde seu mandato como deputado constituinte até essa segunda tentativa de concorrer à Presidência do Brasil, Flávio Rocha passou por altos e baixos na vida política. Relembre, a seguir, os principais momentos.

Dois mandatos como deputado

Flávio Rocha foi deputado por dois mandatos. No primeiro, foi eleito deputado constituinte pelo PFL (atual DEM) e ajudou a redigir a Constituição. Durante o mandato, trocou de partido e migrou para o Partido Liberal (PL).

Na Assembleia Constituinte, foi titular da Subcomissão de Orçamento e Fiscalização Financeira e da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças; e suplente da Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais e da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher

Segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil  (CPDOC) da FGV (faculdade onde Flávio Rocha cursou administração), o presidenciável votou contra o rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas de discriminação racial, a pena de morte, a limitação do direito de propriedade, o turno ininterrupto de seis horas, a jornada semanal de 40 horas, a demissão sem justa causa e a proibição do comércio de sangue.

E votou a favor do mandado de segurança coletivo, da pluralidade sindical, do presidencialismo, do voto facultativo aos 16 anos, do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney, da anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho.

Depois da promulgação da Constituição, Rocha trocou de partido, filiando-se ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Foi reeleito deputado em 1991 e depois voltou ao PL.

Foi nessa época que apresentou a proposta do Imposto Único, uma alíquota de 2% sobre todas as operações financeiras, a ser repartida entre credor e devedor.

Em 1992, votou a favor do impeachment de Fernando Collor, que tinha sido eleito pelo PRN.

Uma candidatura que naufraga

Em 1994, Flávio Rocha tentou pela primeira vez ser presidente do Brasil. Naquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou uma forma de financiamento de campanha por meio dos chamados bônus eleitorais, que funcionavam como recibos entregues pelos partidos aos doadores de campanha.

O que tirou Flávio da disputa foi uma reportagem do jornalista Xico Sá na Folha de S.Paulo. Passando-se por um empresário do interior do estado de São Paulo, Sá comprou bônus eleitorais da campanha de Flávio Rocha por um valor menor que o declarado, mostrando que as transações escondiam uma brecha para lavagem de dinheiro de caixa 2.

O jornalista conseguiu comprar um bônus de 140 mil reais combinando o pagamento de apenas 70 mil reais. O resto do valor seria complementado por notas “frias”, referentes a serviços que nunca foram prestados.

Flávio Rocha, então, demitiu o responsável pelo comitê envolvido no escândalo, seu primo e coordenador financeiro do partido, Teófilo Furtado Neto, segundo o CPDOC/FGV. Mesmo assim, a executiva nacional do PL forçou a saída de Rocha da corrida à presidência, baseada também nas pesquisas de intenção de votos, que apontavam que o candidato tinha o apoio de zero a 1% da população em julho.

À época, Rocha tinha 36 anos, apenas um ano a mais que a idade mínima para que uma pessoa se candidate à presidência. Depois de tirá-lo do páreo, o PL voltou aos planos originais e passou a apoiar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Rocha alegou perseguição. À Folha, disse que ia defender a criação de um imposto único, que beneficiaria o salário mínimo mas contrariava os interesses dos banqueiros com os quais FHC estaria comprometido.

Procurado por EXAME na última semana para comentar o assunto, Flávio Rocha foi mais longe e afirmou que Xico Sá, o autor da reportagem publicada pela Folha, mentiu para o tesoureiro do partido, e que o imbróglio levou seu pai, Nevaldo Rocha, à depressão.

EXAME questionou por que, então, o candidato não cobrou esclarecimentos da Folha na época. Rocha respondeu que a família foi para os Estados Unidos em 1995 e “quis esquecer esse assunto”.

Ele se defende dizendo que ninguém foi capaz de provar quem seria o beneficiário da manobra de subfaturamento dos bônus, e que não houve nem sequer um inquérito para apurar a questão em 1994.

A reportagem procurou Xico Sá, o autor da reportagem sobre os bônus eleitorais, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

O empresário quer (de novo) ser presidente

Depois da temporada nos Estados Unidos, Flávio Rocha assumiu o controle do grupo Guararapes, mas não se afastou totalmente da política. Houve rumores de que ele tentaria uma candidatura ao Senado em 2004 e novamente em 2009 – nenhum dos quais se concretizou.

Enquanto isso, comandou a marca Riachuelo. Atualmente ocupa a vice-presidência do grupo Guararapes, mas já avisou que vai se afastar das funções para ser candidato.

Durante a gestão de Flávio Rocha, a Riachuelo teve lucro recorde em meio à recessão econômica. Mas também se viu às voltas com denúncias de trabalho escravo e polêmicas com membros do Ministério Público – Rocha criticou a procuradora responsável por uma ação contra a Guararapes, acusando-a de fazer atuação “pessoal” e ter “visão marxista”. Mas depois teve de se desculpar.

Neste ano, Flávio Rocha passou a encabeçar o movimento de empresários Brasil 200. O nome é uma referência aos 200 anos de independência do país, que serão comemorados em 2022, quando termina o mandato do presidente que for eleito em 2018.

O Manifesto do movimento está afinado ao discurso do empresário. Prega o estado mínimo, a independência das empresas e a moralização dos costumes. Entre as 10 propostas do movimento, há desde o combate ao conceito de luta de classes, passando pela afirmação de que “empreendedores e colaboradores não são inimigos; eles cooperam pelo crescimento da nação” até a defesa do conservadorismo, da “escola sem partido e sem erotização precoce, respeitando o senso comum e as famílias”.

Como pré-candidato, Rocha já recebeu o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de renovação política que ganhou força durante os protestos pedindo o impeachment de Dilma Rousseff em 2015. Em março, filiou-se ao Partido Republicano Brasileiro, o braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, para tentar a Presidência da República.

Source :

Exame

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