“Sistema político brasileiro está podre”, diz José Victor Oliva

Empresário elogia inciativa do amigo Flávio Rocha de se engajar novamente na política e diz que o próximo presidente precisa ter objetivos claros para que a ordem seja retomada no Brasil

Image: Fotografia - Uol

 

O empresário José Victor Oliva, fundador da Holding Clube, um dos principais grupos de eventos do país, é entusiasta do Brasil 200, movimento fundado por Flávio Rocha, dono da Riachuelo, que prevê um Estado liberal na economia e conservador nos costumes. Eles são amigos há quatro décadas, desde que Oliva fundou a casa noturna The Gallery, ícone da noite paulistana na década de 1980, onde Flávio sempre estava bem acompanhado por suas “namoradinhas”, como define o empresário. Mais maduro que o restante da turma, jovens de pouco mais de 20 anos, Oliva diz que Flávio, além de curtir a vida, já pensava em temas complexos relativos à política e à economia do país. “Sempre foi um pensador.”

Mais do que apoiador do Brasil 200, Oliva se define como radical. “(…) Para que o Brasil consiga voltar à normalidade democrática, social, de segurança, ética, em todas as manifestações que uma sociedade correta deve ter, chegou a hora de um choque, de repensar, de voltar às origens”, disse em entrevista à ÉPOCA. Ele afirma que não acredita que Flávio está se lançando novamente na política, investindo tempo e dinheiro, por vaidade, mas sim por um ideal genuíno. “Não é alguém que vai chegar a presidente, governador, por vaidade, ou porque quer aparecer”, diz. Nesta terça-feira (27), Rocha se filiou ao PRB para disputar a Presidência. O partido integra a base aliada do presidente Michel Temer (MDB).

De acordo com Oliva, a única forma de consertar os grandes problemas brasileiros é com objetivos claros. Segundo ele, as quatro principais áreas que o próximo presidente do país deve se debruçar são segurança, moradia, saúde e educação. Confira a entrevista.

ÉPOCA  Você concorda com as duas principais premissas do Brasil 200, de um Estado liberal na economia e conservador nos costumes?

José Victor Oliva – Sou até mais radical que os pontos de vista do movimento. Em linhas gerais, minha posição é a seguinte: para que o Brasil consiga voltar à normalidade democrática, social, de segurança, ética, em todas as manifestações que uma sociedade correta deve ter, chegou a hora de um choque, de repensar, de voltar às origens. Atualmente enfrentamos uma insegurança não só do cara que te assalta, mas de quem te rouba um imposto escorchante, de não conseguir investir, dar emprego porque as leis são completamente contra correr riscos. Acho que o Brasil 200 está mais do que bem-vindo. E chega até um pouco atrasado.

ÉPOCA – A ênfase ao conservadorismo nos costumes não cria resistências em parte da população? Recentemente o Flávio foi duramente atacado por parte da comunidade LGBT, por exemplo…

Oliva  Quando começaram a falar do politicamente correto, nos anos 1980, existia um ambiente de ex-ditadura, que separava fortemente os ideias das classes. Ao longo de trinta e poucos anos as coisas mudaram radicalmente. O Lula era a esperança de um monte de gente, inclusive a minha em dado momento, quando cheguei a votar nele. Mas se mostrou um corrupto, o que há de pior. Não é que as pessoas nasceram de um jeito e vão morrer do mesmo jeito. As pessoas pensam. Conheço diversos homossexuais, já que você citou esse exemplo, que são muito mais de direita do que eu. Tem um monte de gente que se acha mais prejudicado por algumas situações do que por outras, e essas situações não estão todas juntas, no centro, na direita ou na esquerda. (…) Sendo mais claro, patrulhar esse tipo de coisa seria completamente errado. O que o Flávio está propondo é outra coisa.

ÉPOCA – Acredita que ele está no caminho correto, portanto?
Oliva – 
Uma sociedade, se liberal, conservadora ou anarquista é formada por um monte de gente, gostos, costumes etc. O Flávio é um cara muito corajoso. Quando se lançou à candidato à Presidência, em 1994, era quase um desconhecido. Sempre foi idealista, que pensa mesmo. Ele não está fazendo isso [com o Brasil 200] para defender seus ativos, ou marcar posição. Ele não é um bicho de sete cabeças. É, de certa forma, um filósofo, que pensa além. Sempre foi assim desde moleque. Quando éramos jovens, todo mundo falava mulher, Fórmula 1, e ele já estava pensando o que seria melhor para o país. Até hoje é assim. Quando ele fala com você, às vezes ele divaga, ou fica brisando, como diz minha filha. Mas é porque ele está pensando em todas as possibilidades sobre o tema. É um homem muito correto, ético e verdadeiro. O Flávio não é uma pessoa que tem sede de poder. Não é alguém que vai chegar a presidente, governador, porque ele quer aparecer, vaidoso. Tenho certeza absoluta que ele faz as coisas porque ele acredita. Porque tem ideias que vem do coração.

ÉPOCA – Quais são os grandes temas, ou problemas, que o Brasil enfrenta e que devem ser obrigatoriamente atacados pelo próximo presidente?

Oliva  Segurança, moradia, saúde e educação. Enquanto isso não for resolvido, não há sociedade que pare em pé. Não adianta ser liberal ou conservador, socialista, ou capitalista ao extremo, se não pensar nessas quatro coisas. Pode variar um pouquinho, mas o assunto é resolver isso. Em outra frente, a economia não pode ficar sem rumo. Ela tem que ter um propósito claro. Deve-se saber qual é o propósito do sistema econômico brasileiro. Exemplo: as reformas, são uma plataforma importantíssima para que qualquer outra coisa seja conseguida. No meu ponto de vista, uma pessoa que tem capacidade para se ter uma grande equipe para gerir o país. Que tenha essa capacidade de ter gente eficiente nos ministérios e posições, deixando de lado toda a parte política, é o que Brasil precisa agora. Sou radical. Outro exemplo: quem é o cara que tem que ser o presidente do BB? De que partido ele é? Não importa. Mas se ele é o cara, tem que estar lá. Apesar de acreditar muito na política, o sistema político brasileiro está podre.

ÉPOCA – Como empresário, e mais outsider na política atual, o Flávio teria capacidade de chamar bons nomes e ter uma boa articulação para um governo?

Oliva  Não sei. Ele tem capacidade, mas não sei o quanto que essa podridão do sistema político pode ser desmontada por um, dois, ou três políticos. Não sei quanto tempo levaria. Acho que precisaríamos de até três governos liberais e profissionais para que o Brasil volte a ser uma nação. Fiquei muito decepcionado com a esquerda brasileira. E teve uma época que sinceramente que era o caminho. E vi, realmente, que são corruptos, incompetentes, o que há de pior. Um socialismo tupiniquim de vigésima categoria. (…). Lamento o fato de Lula ter dividido o país entre ricos e pobres, norte e sul. Isso fez muito mal a todos. É óbvio que o país tem uma distribuição de renda pavorosa. Mas isso vem de uma política completamente errada. E volto a ser radical: a única forma de consertar os grandes problemas brasileiros é com objetivos claros, como os que tem o Brasil 200.

Source :

Epoca

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